- Mamã, quero ver o Bolt...
- Já é muito tarde, tens de ir dormir.
- Está bem. Assim, vou pôr o canal Panda!
segunda-feira, 9 de Novembro de 2009
Manias de agora...
Pintas como se não houvesse amanhã.
Expressão favorita: pintar - a uma só cor ou às partes - uma folha por inteiro, de preferência na mesinha da sala, e deixando chegar as cores até à toalha (e, porque não, fazer nela um desenhinho inocente??). Dedicado à recém-descoberta arte, é frequente perguntares: está giro, mamã?
A qualquer coisa, respondes "está bem" com um sorriso doce, de total aceitação.
Estás sempre a dizer que isto ou aquilo "é muito fantástico", ou elogias os nossos desenhos "estás a fazer muito bem!".
- Se não parares de mexer no candeeiro, faço-o cair de propósito na tua cabeça para veres que te podes aleijar! - tento ameaçar-te, já depois de te ter pedido que estivesses quieto, quê, quinhentas vezes???
- Não, não, poqué eu sou muito rápido. Eu fujo! - respondes com a já habitual rapidez e precisão que me deixa sem argumentos... e sorris, com ar triunfante.
- Não, não, poqué eu sou muito rápido. Eu fujo! - respondes com a já habitual rapidez e precisão que me deixa sem argumentos... e sorris, com ar triunfante.
quinta-feira, 5 de Novembro de 2009
Chegamos a casa, o ritual do costume: eu vou trocar de roupa e tu vais à casa-de-banho. Quando saí do quarto, lá estavas tu sentadinho no trono, pés enroscados para dentro, olhar meio perdido. Passei por ti e meteste conversa:
- alkdjfohcva (já não me lembro do que disseste)
- E estás a fazer o quê? - perguntei.
- Estou a pensar, mamã.
Mais tarde, depois do jantar, entregaste-te ao prazer da pintura. Olhei-te de relance e vi a caneta a bater-te nos lábios:
- Estou aqui a pensar...
Anda a pensar muito, este meu filho!
segunda-feira, 2 de Novembro de 2009
- Então, filho, não falas com a avó? - pergunto-te, com o telefone em alta voz a ouvires falar contigo.
- Não posso, deixei a língua em casa!
- Não posso, deixei a língua em casa!
Discussão ainda fresca, que acabou em palmada sonora. Vou para a casa-de-banho lavar os cabelos. A berrar, segues-me, para dares continuação à birra (adoras ser chato e persistente!). Ficas por ali, a ameaçar com tudo: que já não brincas mais comigo, que sou feia, que nunca mais me apanhas morangos, e por aí fora. Viro-me e pergunto se te lembras bem do que fizeste e que causou o meu aborrecimento. Enfias os dedos nas orelhas e exclamas:
- Não consigo ouvir a tua pergunta, mamã!
- Não consigo ouvir a tua pergunta, mamã!
sexta-feira, 30 de Outubro de 2009
Dia da festa de Halloween na escolinha, preparo-te com grande entusiasmo. Vais permitindo, com certa relutância, que te vista as calças pretas e a camisa branca, rematando com uma gola de folhos, colar de rubi e capa. Já a parte da cabeleira e cartola (que o teu pai usou há 5 anos atrás) é que não é fácil. No entanto, consigo convencer-te até que chegues à porta da escola. Porém, ao entrarmos deparas-te com um mar de bruxas e condes e monstros ruidosos e toca a arrancares cartola e cabeleira e capa e gola e tudo! Imploras-me que te leve para casa. Só sossegas porque podes ir para a tranquilidade e segurança da tua sala. Venho-me embora, desmarrida e infeliz. Eu, que adoro esta data, tenho um filho que rejeita máscaras!
Final do dia, vou buscar-te à escola. E lá de encontro sentadinho no chão, junto aos outros coleguinhas, a ver televisão, fatinho completo e aprumado, e... de cartola!! Pois é, assim que virei costas de manhã, acedeste a vestir o fato, à excepção da cabeleira. E parece que te divertiste imenso, contaste sobre os jogos e o teatro. Enquanto te ouvia, de mãos dadas a atravessar a rua, sentia o meu peito crescer, crescer...
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